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07/05/2004 10:46
Pegou Fogo!!!
Reproduzo o "pega" muito legal que aconteceu no blog da Cora Rónai, o InterETC
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Troque seu cachorro
por uma criança pobre
Nos comentários do post abaixo, sobre o cotidiano com os gatos, o Paulo Roberto Lopes me fez esta pergunta:
"Você tem um apreço muito grande pelos gatos, dos quais também gosto, tenho um, mas acho que, de sua parte e de tantas outras pessoas, há exagero. Em vez de se ter tantos gatos, como você tem, por que não adotar uma criança sem-mãe-nem-pai? Não tenho nada com sua vida, e peço mil desculpas pela intromissão, mas eu o faço por motivo humanitário, porque me preocupa muito mais do que os gatos -- as crianças que choram pelo carinho de alguém que possam chamar de mãe ou de pai sobretudo de mãe. Em muitos casos, aliás, não se trata de escolher entre gatos ou criança, porque há condições financeiras e afetivas para se dedicar a um filhote humano, digamos assim, e ao mesmo tempo a um felino pra que ter seis, dez gatos?"
Não precisa pedir desculpas, Paulo Roberto. Esta é uma pergunta clássica, feita por quem ou não tem animais ou não tem filhos; como você diz que tem um gato, suponho que não tenha filhos. É também uma pergunta muito difícil de responder, porque se a pessoa não percebe sozinha a diferença abissal entre um filho e um animal de estimação fica complicadíssimo explicar -- mas vou tentar.
Ninguém adota um fllho porque tem um dinheirinho -- ou um afetinho -- sobrando, temporariamente desviados para quadrúpedes. As pessoas adotam filhos quando sentem um vazio humano nas suas vidas. Ser pai ou mãe responsável não é só pagar a escola e o pediatra e fazer um carinho na cabeça da criança antes de ela ir dormir; é se atirar de corpo e alma na construção de uma pessoa, ensinar, dar e mostrar exemplos, cuidar, levar e buscar na escola, no balé e no inglês, estar atenta ao que faz e com quem se relaciona, dar disciplina e compreensão nas doses certas, enfim... viver 24 horas por dia em função daquela criança.
É preciso ter uma imensa disponibilidade de tempo, paciência e carinho para ser pai ou mãe de verdade; para não falar em dinheiro.
Como eu te disse, não dá para comparar crianças e bichos de estimação; mas, ficando só no lado prático da questão, ninguém precisa levar um gato à escola, conferir os seus deveres de casa ou, na adolescência, ir buscá-lo às quatro da manhã numa festinha do outro lado da cidade.
Inversamente, eu não poderia deixar uma criança sozinha durante todo o tempo que passo fora de casa, sobretudo quando viajo. Os gatos também não gostam muito dessas ausências, é verdade, mas aceitam a situação resignados.
Quanto à pergunta dentro da pergunta -- "pra que ter seis, dez gatos" -- posso garantir, pelo menos nos casos que conheço, que ninguém decide ter seis, dez ou quinze gatos. Os gatos acontecem na vida de quem gosta deles. Um dia a tua filha chega da faculdade trazendo um gatinho que estava sendo maltratado no bar da esquina (Mosca); no outro, o porteiro traz uma gatinha que foi abandonada em frente ao prédio, às portas da morte (Tutu); ou a faxineira vem com uma siamesinha que nasceu na favela e que ela não tem condições de criar (Pipoca); ou...
Enfim. Há milhões de crianças em condições desesperadoras, é verdade, mas a situação dos animais não é nada melhor, pelo contrário.
Eu criei dois filhos maravilhosos, que se tornaram adultos cheios de qualidades e que me enchem de orgulho; e dou guarida aos gatinhos que a vida teve a consideração -- a delicadeza -- de pôr no meu caminho.
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enviada por =^..^=Fabiana=^..^=
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